Existe um forte mito institucional de que indivíduos superdotados não possuem dificuldades emocionais ou de aprendizagem.
Na realidade, as Altas Habilidades podem coexistir com qualquer transtorno do neurodesenvolvimento — fenômeno conhecido como Dupla Excepcionalidade (2e).
A Dupla Excepcionalidade pode ser descrita como a presença de alta performance, talento ou potencial, ocorrendo em conjunto com uma desordem psiquiátrica como TDAH, TEA ou Transtorno Específico da Aprendizagem.
O grande desafio clínico é que os talentos e os déficits competem e se mascaram.
O Efeito de Mascaramento — Três Cenários de Diagnóstico Perdido
Essa dinâmica divide as crianças com dupla excepcionalidade em três grupos de diagnóstico:
No primeiro cenário, o talento oculta o transtorno. A alta inteligência compensa os déficits iniciais. A criança tem TDAH ou Dislexia, mas seu QI elevado permite que tire boas notas. O problema só é identificado quando a demanda escolar excede sua capacidade de compensação.
No segundo cenário, o transtorno oculta o talento. Comportamentos inadequados ou falhas de aprendizagem impedem a percepção da genialidade. A criança é diagnosticada com TDAH ou TEA e enviada para salas de reforço. Professores não percebem e não estimulam suas altas capacidades.
No terceiro e mais insidioso cenário, ocorre o mascaramento mútuo. As altas capacidades trabalham para superar as dificuldades do transtorno. A criança gasta imensa energia mental para parecer normal, gerando um desempenho mediano que não chama atenção.
Separando Autismo Leve de Superdotação
É vital não confundir Autismo Leve com Altas Habilidades, para evitar expectativas irrealistas ou a falta de apoio correto.
Ambos podem apresentar interesses intensos, vocabulário avançado precoce e hipersensibilidade sensorial. Contudo, na Superdotação, os déficits na compreensão das interações sociais e da linguagem não verbal não estão presentes.
Movimentos repetitivos e estereotipados são específicos do autismo e geralmente ausentes na superdotação.
Investigar o perfil neuropsicológico de forma minuciosa garante que o foco do tratamento abrace não apenas as limitações a serem superadas, mas os talentos extraordinários a serem desenvolvidos.
Quantas crianças com alto potencial estão desperdiçando energia apenas para parecer normais, em vez de desenvolver seus talentos excepcionais?

